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Havia um menino...

Foto do escritor: Jefferson Sarmento
Jefferson Sarmento
13 de abr.
6 min de leitura

Uma breve (longa) história de como nasceu a TRAMATURA


Havia um menino

Ele morava com os pais num bairro de subúrbio de uma cidade no interior do Rio de Janeiro, na esquina de uma ladeira sem calçamento, de terra batida, que formava riozinhos de enxurrada na sarjeta nos dias de chuva. Ele construía represas com pedras, paus e barro nesses dias, imaginava inundações terríveis e heróis salvando os inocentes, ou sendo forçados a desbravar o mundo enorme ao redor. Descia num velotrol desenfreado pela mesa ribanceira por onde os moleques embicavam seus carrinhos de rolimã, terminado na parte baixa da rua, onde as outras crianças jogavam bola com traves feitas de chinelos ou pedras. Voltava para casa sorrindo e suado e sujo, correndo quando a mãe gritava que a janta (mãe de menino nunca chamou a sopa de jantar, era sempre janta) estava na mesa — mas sem deixar que ele entrasse todo sujo de barro daquele jeito. Primeiro passava no tanque pra tirar a lama, que às vezes estava até no cabalo.


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A casa imediatamente abaixo na ladeira era a dos avós do menino e, em certas tardes, ele corria de sua casa para a dos avós com um objetivo em mente, que eu já vou contar para você. Antes, porém, como exercício de imaginação, eu gostaria que você enxergasse esse menino em sua mente — meio descabelado, sem camisa, sempre descalço. Ele passa correndo pelo corredor estreito de sua casa — um corredor enorme, por onde passariam exércitos ou feras colossais, sem que, por maiores que fossem, conseguissem encostar nas duas paredes ou alcançar o teto com suas cabeças. Claro, isso só era possível da perspectiva do menino e, preciso dizer que esse corredor, hoje, me parece bem estreito e curto. Muito estreito e curto.


Pois o menino corre por esse corredor, corre sua maratona para alcançar a entrada para a sala, outro cômodo de dimensões faraônicas que devia ter mais ou menos três por três metros, não muito além. A sala tem dois sofás pequenos e um grande, de courino claro, amarelado, rodeando uma mesinha baixa com tampo de mármore. O sofá maior fica de frente para a janela. À esquerda dessa janela de vidro canelado fica a porta de madeira escura, com uma janelinha no alto. No canto da direita da janela fica uma televisão. Uma TV em preto e branco onde o menino assiste aos desenhos do Speed Racer, aos seriados das manhãs de sábado com os tripulantes do submarino Seaview enfrentando monstros abissais, viajando ao centro de vulcões; ou dois cientistas viajantes do tempo; ou uma nave terrestre que, depois de uma viagem em que algo dá errado, vão parar em um mundo habitado por gigantes...


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Mas não é por casa da TV que o garoto correu para a sala. Não agora. Ele passa correndo pelo vão entre os sofás pequenos e a mesinha de centro e segue em direção à porta. Com o canto dos olhos, ele vê a mãe deitada no sofá maior, segurando em frente ao rosto um estranho pacotinho de... folhas. O menino não sabe direito, ainda, o que é aquilo, mas já viu a mãe ali deitada, segurando um deles, pelo menos uma dúzia de vezes. Ou mais.


— Para de correr, menino — ela diz, vendo-o passar pela porta e quase escorregar na cerâmica vermelha (e muito bem encerada) da varanda. Ou talvez ela tenha dito pra ele “calçar um chinelo” — nunca vou lembrar. Ele responde alguma coisa, mas também não vai se lembrar jamais do que foi.


Pois ele passa pela varanda, dobra a esquina da casa e ganha a calçadinha entre a casa e o muro que dá para a rua da ladeira. Entre essa calçada estreita, ainda dentro do quintal, e o muro alto, fica um jardinzinho de margaridas. Lindas, florescem sempre, porque a mãe cuida delas com muito carinho. No centro do jardim, ela e o menino plantaram um pé de pinhão, porque o menino adora pinhão cozido (só acha muito difícil, terrivelmente trabalhoso de descascar), e um dia os dois usaram uma das sementes e plantaram ali sua árvore para sempre terem pinhão em casa. Só não sabiam (e não sabem, nesse ponto da história) que aquela ali era uma araucária macho, que nunca daria um cacho sequer...


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Menino corre pela calçadinha e chega à cerca que divide a casa dos pais da casa dos avós. Salta para o quintal um pouco mais baixo, corre para os fundos, chega à área onde fica o poço e a casinha de ferramentas do avô (que foi marceneiro numa siderúrgica da cidade vizinha, mas agora já é aposentado) e entra na casa pela porta da cozinha. A primeira coisa que ele vê é a mesa de madeira bruta que fica em frente à porta. É ali que o avô senta de manhã pra esperar o café passar (num coador de pano enviado em uma geringonça de vergalhão que ele mesmo armou) enquanto dá farelos de pão dormido para os gatos (ou para a Gata, uma fêmea arisca e com cara de poucos amigos que sempre esteve por ali e entregou ninhadas e mais ninhadas ao mundo).


É a mesma mesa onde a avó esparrama doces dos mais diversos para esperar secar e cortar em cubinhos. Mamão, abóbora, coco, amendoim... O que o menino mais gosta é o de amendoim. Ela corta tudo, coloca em portes com tampa que guarda na parte alta do armário da cozinha, um trambolho de aço com as portas vermelhas que parece inalcançável para os netos. A avó só deixa comer um por vez e é quase uma celebração, um evento quando ela chama para abrir a tampa do pote e provar um docinho.


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Mas não foi por isso que o menino veio hoje. Nem avô e nem avó estão ali na cozinha a esta hora da tarde. Ele então corre pela cozinha e salta para a copa, que é um degrau mais alta que a cozinha, ambos de chão de cimento com vermelhão encerado, brilhante. À esquerda, logo na entrada da copa, fica o quarto dos avós, sempre meio escuro e com a porta entreaberta. Menino não entra ai, seguindo para a sala pequena, saltando sobre o braço do sofá para pegar impulso e chegar ao quarto das tias, que tem uma janela sempre aberta para a frente da casa, para a ladeira. Abaixo dessa janela fica uma velha máquina de costura em que dona Maria costuma estar trabalhando a essa hora. E lá está ela, pedalando e remendando calças dos tios que trabalham na mesma usina que o avô trabalhara. Ou emendando retalhos para fazer tapetes para a casa...


Menino entra no quarto e salta na cama da esquerda — sempre a da esquerda. É uma cama fofa, abaulada, que faz o garotinho quicar e a avó fazer uma careta de repreensão. Ela finge que não dá atenção, porque sabe o que o menino quer. Ele sempre entra ali com a mesma intenção. Então ela espera. Espera enquanto os dedos ágeis vão passando a emenda dos panos pela agulha lépida da Singer.


— Vó, conta uma historinha? — o menino pede. Pede com um sorriso enorme, já sabendo que ela vai dizer que está ocupada. Mas mesmo assim, ela começa a contar.


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Vó Maria contava várias histórias diferentes. Em geral, eram fábulas ou histórias do Pedro Malasartes, travessuras do pai ou dos tios do menino. Contava com conhecimento de causa, sem tirar os olhos pequenos da costura, emendando uma na outra. Quando terminava, o menino pedia que ela contasse outra e outra. E ela ia resmungando e contando, reclamando e contando, até terminar o serviço e mandar o neto ir perturbar (ou estorvar) outro.


Anos se passaram assim, pelo menos é assim que se lembrar o menino, quase cinquenta anos depois. Ele ainda não sabia ler naquele tempo, mas sua grande descoberta da vida veio quando conseguiu juntar letras e formar sílabas e, delas, formar palavras e frases e ideias. Descobriu junto que as histórias que Vó Maria contava povoavam os pacotinhos de folhas que Mãe Clarice passava tarde lendo no sofá grande da sala — às vezes esperando a sopa de macarrão e carne que cozinhava no fogão de quatro bocas da cozinha estreita.


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O menino cresceu e fez várias outras descobertas, entre elas a que orientou grande parte de sua vida adulta: ele queria contar histórias. Queria escrever histórias e colocá-las naquele pacotinho de folhas chamado livro! Tornou-se escritor e, a reboque disso (e de sua paixão pelas histórias e livros), criou uma editora — que ele chamou de Tramatura (uma mistura de trama e costura) e deu a ela uma máquina de costura como marca.


Menino hoje é feliz fazendo isso: recontando histórias e criando as próprias, equilibrando seu tempo como escritor, editor, tradutor... e uma monte de outras coisas que têm relação direta (ou não) com os livros. Conta histórias como a avó e o avô faziam quando ele era pequeno, como se o ouvinte (ou o leitor) estivesse a seu lado, enquanto ele costura suas tramas e retalhos — ou passa o café da tarde, vendo a Gata ronronar na porta da cozinha, pra ganhar uma migalha de pão dormido.


E espera também, esse menino, que seja capaz de acender, nas outras pessoas, a faísca do amor às histórias — assim como foi feito com ele.


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7 comentários

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há 3 dias

qq8 mình vừa lướt thử một chút, chủ yếu xem trang sắp xếp ra sao chứ chưa đọc kỹ từng phần. Mình hay ngại mấy trang mới mở lên đã thấy quá nhiều thứ chen nhau, vì chỉ định xem vài phút thôi mà lại mất công tìm. Trang này thì nhìn khá thoáng, các khối nội dung có khoảng tách riêng nên lúc kéo xuống cũng đỡ bị rối mắt. Có lẽ do mình thích kiểu đơn giản nên thấy vậy là dễ chịu rồi. Còn nội dung cụ thể thế nào thì để lúc rảnh mình xem thêm, giờ nói nhiều cũng hơi sớm. Điểm mình để ý ngay là không cần dò lâu để thấy chỗ chuyển…

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Convidado:
há 5 dias

TG88 có đáng để ngó qua không nhỉ? Mình nghĩ là có, ít nhất là để xem họ làm giao diện ra sao. Mình vào lướt kiểu vài phút thôi mà thấy trang này trình bày khá thoáng, các khối nội dung đặt tách bạch nên nhìn một cái là biết chỗ nào là phần giới thiệu, chỗ nào dẫn vào khu trò chơi, không bị cảm giác phải mò từng mục. Có đoạn họ nói về việc tập trung trải nghiệm lâu dài thay vì làm rầm rộ ngắn hạn, đọc cũng thấy hợp lý, nghe giống kiểu làm nền tảng cho người dùng ở lại chứ không phải chỉ “đánh nhanh”. Mình cũng để ý kho game trông…

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timmothybu.r.ns83.57.8
14 de out.

KQBDHN mình mới ghé thử vì thấy bạn bè hay nhắc, chủ yếu tò mò cách họ trình bày thôi. Vào trang cái là thấy phần kết quả bóng đá nhảy cập nhật khá nhanh, nhìn lướt đã bắt được tỷ số và vài thông tin cơ bản chứ không phải bấm vòng vòng. Mình thích nhất là họ đặt lịch thi đấu với bảng xếp hạng cạnh nhau kiểu “đang xem kết quả thì tiện đối chiếu luôn”, đỡ phải mở thêm tab. Chữ với khoảng cách dòng cũng dễ chịu, không bị nhồi nhét nên đọc trên điện thoại vẫn ổn. Mình không ngồi soi từng giải, nhưng cảm giác lướt qua rất gọn, mấy khối KQBD BXH…

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Convidado:
09 de out.

https://gg88.black/ tối qua rảnh rỗi lướt web trước khi ngủ, thấy người ta nhắc nhiều nên mình mở thử cho biết. Mình vốn hay khó chịu với mấy trang chữ nghĩa rối rắm, nhưng trang này nhìn vào là thấy họ chia nội dung theo từng khối rõ ràng nên đọc đỡ mệt. Mình chủ yếu xem phần giới thiệu thôi, thấy họ nói khá thẳng về tiêu chuẩn quốc tế với hệ thống bảo mật, ít nhất là viết ra cụ thể chứ không vòng vo. Cuộn xuống dưới thì có mấy đoạn nói về kho game với đối tác đặt tách riêng, kiểu mỗi ý một mảng nên mắt theo kịp. Menu cũng để khá lộ, bấm qua…

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Convidado:
09 de out.

https://zbet68.pro/ hôm trước mình lướt thấy ai đó nhắc nên tiện tay vào xem thử. Mình không đọc sâu đâu, chỉ kiểu ngó giao diện với cách họ sắp xếp nội dung thôi. Cảm giác đầu tiên là trang nhìn khá “sạch”, bố cục chia khối rõ nên kéo xuống nhanh vẫn biết mình đang ở phần nào. Mấy đoạn giới thiệu về nền tảng/brand cũng viết gọn, không nhồi chữ quá nhiều nên đọc lướt vẫn hiểu ý chính. Màu sắc với font nhìn hiện đại, không bị rối mắt như nhiều trang khác. Nói chung mình thấy họ chăm chút phần hiển thị, nhất là cách tách các ô thông tin và tiêu đề nhìn khá rõ ràng…

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