Mais Inclusão nesse Mês do Orgulho

Por Thiago Pined

Existe um exercício bem interessante que uma vez li em uma postagem na internet: vá até sua estante de livros e retire todos os livros que tenham algum personagem LGBTQIA+, depois, desses livros, retire os que os personagens não são pejorativos e rasos, então, retire dos que sobraram aqueles livros que foram escritos por pessoas que fazem parte dessa comunidade. Imagino que sobraram poucos, além disso, imagino que muitas pessoas não chegarão nem a segunda faze dessa experiência.

De modo geral, o que é possível ver? Que, mesmo que haja o Dia do Orgulho, que muitas marcas coloquem suas logomarcas com as cores do arco-íris no mês de junho, que você como ser humano se sinta como alguém que respeitas os ideais LGBTQIA+, não é o suficiente.

A indústria literária, por exemplo, ainda tem muito que aprender ­– a evoluir. Nas grandes editoras esse reflexo da necessidade de representatividade é mais positivo e palpável; as publicações literárias LGBTQIA+ são mais frequentes e muito mais abrangentes; agora é possível procurar por histórias com protagonistas gays, sáficas (lésbicas), transexuais e alguns outros. Todos eles são comumente achados nos selos jovens dessas editoras e muitos deles são classificados como eróticos, mesmo que não haja relação alguma.

Nas livrarias, livros assim têm um tema específico: LGBT. Ficção está em LGBT, literatura fantástica está em LGBT, auto ficção está em LGBT, romances históricos estão em LGBT, ficção científica está em LGBT, horror, terror e muitos outros estão nesse mesmo tema. E a diversidade se torna praticamente nula. Colocar os protagonistas de todas essas histórias, que eram apenas personagens para lá de secundários, e misturá-los em um único tema (que não é bem um tema, na verdade) não está diversificando em nada a literatura.

Quando uma pessoa procura um emprego, o importante para o empregador não deveria ser com quem essa pessoa se apaixona; as vidas pessoais não deveriam estar atreladas ao trabalho. Acontece o mesmo com a literatura. O protagonista não quer ser mais uma vez catalogado em um grupo diferente; ele quer ser apenas ele. O protagonista quer desbandar mundos enquanto está secretamente apaixonado pelo amigo da escola. O protagonista quer fazer parte da realeza enquanto ela tem um affair com a garota nova na cidadezinha da idade média. O protagonista quer beijar quem ele ou ela quiser enquanto decide passar uma noite dentro de uma mansão mal-assombrada!

Vai haver alguém que diga que não se pode pensar desse jeito, pois alguns leitores não vão gostar de ver esse tipo de protagonista dentro do livro que escolheu assim de surpresa. Claro, ainda há preconceito entre os leitores.

No entanto, situações assim são simples de se resolver; uma boa sinopse sempre ajuda, não é mesmo?

Sonha-se com um mundo ideal em que há pluralidade tanto no dia a dia quanto na literatura; quando uma pessoa é apenas isso mesmo, com necessidades e desejos de mais um alguém que nasceu nesse mundão abarrotado de possibilidades. Enquanto esse dia não chega, que percebamos o quanto o significado de inclusão deve ser extrínseco ao todo.


Thiago Pined é escritor, autor de Amores & Horrores, O Banquete de Vindito, Os dates de Jonas, entre outros... Uma passeada na Amazon e você encontra suas histórias sem esforço. Além de ser colaborador da Tramatura, claro.

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