O que esperar de JURASSIC WORLD 3

Jurassic World: Dominion tem carinha de fim de jornada, mas será o fim da franquia?

Quando Steven Spielberg resolveu transformar a história de Michael Crichton em livro, lá em 1993, ninguém jamais imaginaria que seríamos apresentados a dinossauros de verdade. Porque era essa a sensação: eles estavam lá! Eles eram como os atores e atrizes, como se estivessem mesmo no set de filmagens e fossem como cães e gatos reais que contracenam em outros filmes de bichinhos fofos.

Só que a maioria dos dinos não era nada fofa.

Havia uma magia ali, tanto no tom da história quando nos dinossauros desfilando diante dos nossos olhos. Infelizmente, essa magia grandiosa não se repetiu nos dois filmes seguintes, mesmo com Steven Spielberg à frente da direção. Veja bem: são dois filmes divertidos, mas longe de serem (não existe outra palavra) mágicos.

Vinte e dois anos depois, quando Jurassic World ganhou as telas de cinema, não havia mais como o elemento surpresa dos gigantescos animais impressionar os olhos acostumados ao perfeito CGI dos efeitos especiais. E muita gente acabou indo ao cinema porque era o filmão pipoca da vez. Boa parte talvez já acreditasse que um filme de dinossauros estava fora de contexto, talvez soasse velho. Mesmo com um trailer beeem bacana. Entretanto, todos conhecemos filmes que nos empolgaram absurdamente nos trailer e depois se mostraram grandes decepções. Então... este era um filme que corria o risco sim de ser apenas mais uma continuação descartável.

Não foi.

A magia estava ali. E não deu o fora quando Reino Ameaçado estreou em 2018. Parte disso, claro, por conta do carisma de Chris Pratt e a ótima química com Bryce Dallas Howard. Mais: a segunda parte da segunda trilogia também trazia de volta o cínico Dr. Ian Malcolm de Jeff Goldblum, personagem mais divertido da primeira trilogia. Mas era a história que dava o tom principal de novo, e isso foi o mais importante.

A mágica continuou ali. A maneira de se contar uma história não só preocupado com a métrica e os efeitos especial, com a ação e as reviravoltas, mas também com uma jornada que agarrasse a plateia pelo coração, que fizesse tremer na poltrona os mais desavisados, e que esse tremor vibrasse nos nervos da face a ponto de marejarem os olhos.

Ainda estamos um bocado distantes de a terceira parte chegar às telas. Ela se chamará Jurassic World: Dominion. E agora sabemos que os dinossauros estão soltos no continente. Eles estão aqui conosco. As pequenas prévias (como o trailer no começo dessa matéria) trazem mais novidades da velha guarda: Sam Neill (Dr. Alan Grant) e Laura Dern (Dra. Ellie Sattler) completam o trio do primeiro filme sendo puxados de volta para a aventura jurássica.

Nessas primeiras imagens, se você tiver a sensibilidade de se colocar no lugar desses personagens, conhecendo sua história e o terror que sentiram nos primeiros filmes (porque para nós, no lado de cá da tela, era divertido, mas para aqueles personagens... acho que a coisa não funcionou aventuresca e engraçada assim), você pode sim se sentir arrepiado com a possibilidade espantosa de todos aqueles monstros pré-históricos escapando para o mundo real. E tudo o que isso quer dizer para a humanidade. Ian Malcolm e a Teoria do caos nem poderiam prever as consequências disso.

O que sabemos de Dominion é que a história se passa cinco anos depois de Jurassic Park: Reino Ameaçado e que teremos duas tramas paralelas cruzando-se em algum ponto da narrativa.

Segundo Colin Trevorrow, diretor dos dois filmes anteriores e que está de volta nesta terceira parte, declarou que a narrativa do roteiro subverte a construção comum dos blockbusters e das cartilhas de roteiristas que são seguidas à risca pela indústria: sim, aquelas que determinam até em que minuto do filme determinada reviravolta (os plot twists) deve acontecer, qual ponto o herói preciosa encarar seus medos, enfrentar seus traumas e no que isso ajudará para que vença seu grande desafio.

Esperemos para ver, porque esses saltos arriscados podem dar muito errado ou tão certo que criam novas realidades paralelas no quesito "como se contar uma boa história".

Dominion já teve seus filmagens encerradas (que retornaram ainda em 2020, mas com restritos e pesadíssimos protocolos de segurança contra a Covid-19) e estreará nos cinemas daqui a um ano, no dia 10 de julho de 2022 - e aqui vai uma comemoração: friso em "nos cinemas". Nada de lançamentos simultâneos com streaming ou direto num canal de marca. A série merece suas estreias na tela grande, pela grandiosidade que trazem em cada pata de dinossauro batendo contra o chão de uma Terra em que não deveriam mais estar caminhando, o som vibrando ao nosso redor na sala escura e causando aquele efeito que culmina num arrepio.

Contudo, uma das perguntas mais ouvidas pelos realizadores, principalmente o próprio diretor Colin Trevorrow, é se Jurassic World: Dominion seria o último da série. Trevorrow declarou que... bem... de certa forma... este é o filme que encerra o ciclo, encerra uma história que começou a ser contada não no quarto filme (quando ele entrou em campo), mas em Jurassic Park de Spielberg, de 1993. Dominion fecha aquela história, como um box de um seriado de TV ou streaming com começo, meio e fim. Sim, é o encerramento de uma jornada.

Mas...

Frank Marshall, produtor responsável por todo o mundo dos dinossauros nos salvou com um alento de eriçar os pelos do braço, crianças, dizendo categoricamente que Dominion não é o fim do mundo jurássico, embora encerre o ciclo.

Dominion é só o começo.

O começo de uma nova era.

De arrepiar, não é?


Jefferson Sarmento é escritor da Tramatura, autor de A Casa das 100 Janelas, Relicário da Maldade, Alice em Silêncio... e colaborador da Casa de Tramas.

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