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De onde veio a ideia de William Hjortsberg para escrever Coração Satânico?

De onde os escritores tiram suas ideias?

William Hjortsberg

O livro Coração Satânico foi concebido muito antes de Gatz (apelido do escritor William Hjortsberg nas rodas de amigos) se sentar para escrever seu romance mais relevante, mais reeditado em toda a sua carreira e depois de sua morte – ele morreu em 2017.

Talvez o nome de Hjortsberg não lhe seja familiar, mas saiba que ele também escrevia roteiros para o cinema e foi o responsável pela história do filme A Lenda, de 1985, um dos primeiros de Tom Cruise como protagonista, uma fantasia numa floresta com duendes, unicórnios e Tim Curry interpretando um ser enorme, com todas as características do diabo medieval que assusta não só crianças, mas adultos também, todo vermelho, com pés de bode, dentes afiados e chifres curvilíneos maiores que o seu braço!



Mas... de onde foi que Gatz tirou a ideia para escrever Coração Satânico, que tem um dos plot twists finais mais bem planejados e assustadores de todos os tempos?


Gatz estava tentando escrever uma história que, aos olhos dele, fosse

arrasadora, uma em que as pessoas batessem os olhos e dissessem: isso é uma obra prima. Uma que pudesse ser classificada pelo que Ernest Hemingway dizia ser “um livro que, não importa quantos leitores tiver, nunca serão suficientes!


Bom... o Hjortsberg tentou, mas nada saía.

Tentou, tentou e nada vinha à mente.


Então ele se lembrou de que tinha lido um conto chamado “O homem que vendeu a alma”, de um escritor americano do começo do século 20 chamado Stephen Vincent Benet, e ocorreu a ele que nunca tinha pensado que o próprio diabo poderia ser o personagem de uma história: Com essa ideia na cabeça, ele escreveu o conto “To hell in a handbakett” que começa com a frase: “Era uma vez o diabo, e ele contratou um detetive particular...”


O conto ficou em quarto lugar numa das centenas de prêmios anuais de literatura nos Estados Unidos e desse ponto em diante Gatz pensou em vender a história diretamente para o cinema. Um produtor amigo seu tirou isso de sua cabeça com o seguinte conselho: “Não desperdice essa história com um filme, é boa demais”.


Hjortsberg então começou a pensar grande.


E produziu um dos melhores livros de terror já escritos, misturando uma narrativa de policial noir com lampejos de pactos sinistros e seitas vudu. Ironicamente, foi após ser adaptado para o cinema, em 1987, por Alan Parker, que o livro ganhou alcance mundial, tendo Robert De Niro interpretando, sem máscaras, maquiagens ou efeitos especiais mirabolantes, o que talvez seja o diabo mais assustador que o cinema já viu.






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