Como a COVID-19 impactou nos hábitos de consumo dos leitores brasileiros?

Em conjunto com Rüdiger Wischenbart, a Bookwire Brasil publicou em novembro do ano passado uma edição especial do "Digital Consumer Book Barometer", com dados impressionantes para os leitores de mídias digitais.

Talvez como leitor, esse seja um dado nem tão interessante assim. Não num primeiro momento. Mas espere um pouco, porque esse é um estudo que mexe não apenas com a sua maneira de consumir histórias, mas também com o preço que você paga por elas. Se você está realmente assustado com o aumento de preço das publicações impressas nos últimos meses, talvez seja hora de prestar mais atenção ainda do que pensa.

Rüdiger Wischenbart

A primeira coisa que você precisa saber é: quem diabo é Rüdiger Wischenbart: pois bem, estamos falando de um dos maiores estudiosos do mercado de livros (do mercado editorial como um todo) do mundo, consultor, fundador da Content and Consulting, empresa responsável por estudos e relatórios sobre o consumo e o hábito de leitura, o mercado e a evolução das formas como se consome a informação no mundo - de livros de ficção a periódicos, estudos científicos, publicações em geral.

Acontece que, seis meses depois da publicação de novembro de 2020, aquele mesmo estudo acaba de ser ampliado para um melhor entendimento do mercado editorial brasileiro (na verdade, dos hábitos de consumo em vários outros países), especificamente no que se refere a mídias digitais, audiolivros entre essas.

O início da pandemia resultou no fechamento de várias livrarias física em todo o país (e isso não se resume ao Brasil), num período e mercado que já não estava bem das pernas.

O brasileiro comum lê muito pouco e a economia em si já estava num ponto em que mesmo os consumidores mais fiéis estavam simplesmente diminuindo sua afã nas compras, tendo em vista a diminuição de poder de compra.

Todos esses problemas e entraves para o consumo nesse período resultaram em um crescimento realmente surpreendente da literatura digital - e estamos falando de todos os tipos de livros, ficção e não ficção.

Mais ainda, a possibilidade de diminuição de custo de publicação, a perenidade do produto (não precisamos derrubar mais árvores e nos preocuparmos com o estoque quando estamos falando de um eBook ou de um audiolivro, que pode permanecer para sempre nas estantes virtuais e nas plataformas de streaming da Internet) tende a trazer os preços finais para valores mais acessíveis para a população.

Já estamos vendo claramente uma nova tendência de queda nesses preços. Ainda que o investimento inicial, em apresentar um bom produto, mesmo com todos os profissionais envolvidos na criação de um simples ebook (o escritor, revisores, diagramadores, capistas, copydesks, editores...), esse custo fixo pode sim ser diluído ao longo do tempo, muito mais do que acontece numa reimpressão de um exemplar físico que só precisa ir para a gráfica, sem envolver de novo nenhum outro profissional. Na mídia física, impressa, somam-se ao trabalho dos profissionais criadores o daqueles que geram o produto livro nas gráficas, o custo do papel (a preços dolarizados), a distribuição que encarece algo em torno de 10 a 15 Reais num exemplar - isso porque o envio de livros pelos Correios é subsidiado por políticas públicas.

Sendo assim, uma das conclusões do novo estudo é que as políticas de precificação adaptada às novas formas de se consumir livros resultaram na criação de novos grupos de consumidores tanto de e-books quanto de audiolivros.

O estudo conclui ainda que houve aumento significativo do consumo de conteúdos digitais, com a explosão (ainda em expansão) de plataformas de assinatura e de bibliotecas digitais.

Isso é uma excelente notícia para quem é apaixonado não pelo objeto livro, mas pela história que ele trás. Pelo conteúdo.

Pense nisso!

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